Viagem pelas ruas da amargura

"As viagens devem ser um instrumento à procura do fantástico,nunca o suporte de uma devoção complacente" - Baptista-Bastos

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Dinheiro lavado em camas sujas

Portugal anda sempre a reboque dos seus vizinhos europeus. Assim era no tempo da outra senhora, e assim é hoje, infelizmente. É fado, dirão alguns. É sina, outros.

A Comunicação Social – que continua a ser tida, pomposamente, como o quarto poder, atribuindo-se-lhe alguns poderes que, de facto, não tem, nem nunca terá tido – vive, por diversas razões, mais um período agitado. Pelo menos lá para as bandas da Global Notícias, do Público, da Cofina… e sei lá quem mais!

O saudável exemplo – deontológico, ético, moral… –, sublinho-o já, chegou-me hoje de Madrid. Os nossos vizinhos espanhóis discutem, neste momento, se os jornais devem, ou não, publicar anúncios ligados à conhecida como a mais velha profissão do Mundo. O debate deriva de outra análise de âmbito mais vasto, a regulamentação da actividade de prostituta(o).

Vanguardista, também, é a atitude do diário gratuito “20 minutos”, que anunciou na sua edição on-line que hoje será o último dia em que publicará aquele tipo de anúncios nas suas páginas, aceitando uma proposta do PSOE que ainda nem subiu ao Parlamento…

Quando chegará cá um debate de semelhante teor? Quando é que os patrões da nossa Imprensa estarão em condições de concluir que as razões económico-financeiras não podem ditar tudo? Ou melhor: durante mais quanto tempo é que na nossa Imprensa continuará a valer tudo, incluindo a indiferença total face à existência de um mercado de mulheres com fim de exploração sexual, e eventual favorecimento indirecto de redes de prostituição? Quanto é que as administrações dos jornais perceberão que há razões, causas e valores sociais com custos financeiros insignificantes face ao retorno cívico proporcionado?

Daqui a muitos, muitos anos chegará, por certo, a vez da Imprensa portuguesa se interrogar sobre o fenómeno. Até lá, as tesourarias continuarão a arrecadar todos os dias milhares e milhares de euros lavados em camas sujas.

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